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Boletim de setembro do Painel El Niño aponta avanço da seca e risco de cheias no Brasil

Por Redação 01 de outubro de 2026, 17:50
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Foto: Divulgação/ Inmet
Foto: Divulgação/ Inmet
  O Boletim nº 4 do Painel El Niño, referente ao mês de setembro, foi divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com outras seis instituições federais. O documento apresenta dados de monitoramento, previsões e possíveis impactos do fenômeno climático no Brasil ao longo dos próximos meses. Segundo o levantamento, há 95% de probabilidade de que o El Niño alcance intensidade muito forte entre outubro e dezembro, durante a transição da primavera para o verão.

  O boletim aponta que o fenômeno pode ser um dos mais intensos registrados desde 1950 e deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. O aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial vem aumentando continuamente e, no fim de setembro, as temperaturas das áreas central e leste do oceano ficaram mais de 2°C acima da média. Com a atuação do El Niño, a previsão indica temperaturas acima do normal em grande parte do território brasileiro.

  Entre os principais alertas apresentados no documento está o avanço da seca no centro-norte do país, acompanhado do aumento do risco de queimadas. Dados parciais de setembro do Cemaden mostram que o número de municípios em situação de seca extrema passou de quatro para 24 em apenas um mês. Já os municípios classificados em seca severa aumentaram de 153 para 197. No Nordeste, 16% da região está em situação de seca grave, enquanto estados como Amazonas, Roraima, Acre, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe registraram piora nas condições de estiagem.

  No Sul, o cenário é oposto. As chuvas volumosas provocaram elevação dos níveis dos rios e inundações em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, principalmente no Vale do Taquari e ao longo do rio Caí. O Serviço Geológico do Brasil já emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para a região em 2026. Para o período entre outubro e dezembro, a previsão indica chuvas acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste, mantendo o risco de cheias na região Sul, embora a tendência seja de redução desse risco até dezembro.

  O boletim também chama atenção para possíveis impactos na agricultura e na criação de animais. No centro-norte, a combinação entre falta de chuva e temperaturas elevadas pode prejudicar culturas como soja e café, além de afetar os rebanhos do semiárido. No Sul, a maior disponibilidade de umidade pode favorecer o milho, mas o excesso de chuva também pode aumentar a ocorrência de doenças no trigo e dificultar o plantio da soja e do arroz. Os órgãos responsáveis destacam que as previsões representam tendências para o período e que os impactos podem variar conforme a evolução das condições meteorológicas em cada localidade.