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Por que todo mundo quer participar das trends? Entenda a psicologia por trás desse comportamento

Por Luiza Diniz 09 de setembro de 2026, 19:29
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Por que todo mundo quer participar das trends? Entenda a psicologia por trás desse comportamento
  Nesta última segunda-feira (7), redes sociais estavam predominantemente preenchidas com fotos geradas por inteligência artificial, em uma escala além do considerado “normal”. O que ligou um alerta, foi criada uma trend.

  A palavra trend vem do inglês e significa tendência. No contexto digital ela está relacionada a certos modelos de conteúdos, tanto vídeos, fotos ou áudios específicos, que destacam-se na visão de um grande grupo de usuários e assim passam a serem reproduzidos constantemente na internet. 

  A necessidade de fazer parte da tendência muitas vezes ultrapassa a curiosidade de compreender a psicologia envolvida. Não foi diferente com a trend dos anos 80, onde pessoas passaram a enviar fotos próprias para ferramentas de IA modificarem. 

  No caso das tendências que buscam elementos de outras décadas, o psicólogo Eudes Nascimento diz que essa ação reflete o funcionamento da nossa mente frente a tecnologia, a cultura digital e nossas relações sociais:

 "Surge a nostalgia por um tempo não vivido, um refúgio simbólico em uma década idealizada como mais simples e autêntica, não vivenciada por muitos, mas retratadas a partir de filmes e novelas, funcionando em alguns casos como uma fuga de uma realidade que não condiz com as nossas expectativas atuais, mas se realizam nas projeções artificiais das redes sociais”.

  Diante desse fenômeno, chega o questionamento: até que ponto a participação nesse tipo de trend pode estar relacionada à necessidade de pertencimento? 

Para Célia Martins, psicóloga clínica de Brasília (DF), com especialização em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), pode existir sim uma relação, tendo em vista que desde cedo observamos o comportamento das outras pessoas para entender o que é aceito, valorizado ou rejeitado em determinado grupo. Entretanto, a psicóloga destaca:

“Nem todo mundo participa de uma trend por medo de ser excluído. Muitas vezes, a pessoa simplesmente achou divertido ou se identificou com a proposta. Para entender o significado daquele comportamento, precisamos considerar o que o motivou”.

   Além disso, a busca por curtidas e comentários pode influenciar, funcionando como um reforço para a repetição de determinados comportamentos. A especialista diz que o problema aparece quando o valor pessoal passa a depender dessas respostas.

“Com muitas curtidas, ela se sente interessante ou aceita; sem elas, pode interpretar que foi ignorada ou que não tem importância. Nesse caso, o sofrimento não vem da quantidade de curtidas, mas do significado atribuído a elas”.

   Ela alerta que participar desses movimentos pode ser saudável, pois favorece a diversão, a criatividade e a interação social, mas quando a pessoa passa a depender da reação dos outros para ganhar validação ou quando existe uma grande distância entre a realidade vivida e a imagem nas redes, isso se torna um problema, que pode fomentar um desgaste emocional.