João Pessoa, PB | Terça, 20 de Outubro de 2026
Últimas notícias Ver todas
Exclusivo

Aumento no número de eleitores em Mari pode indicar interferência no resultado do pleito e acarretar novas eleições.

Por Gabriell Vinícyus 07 de novembro de 2024, 14:44
Compartilhar: Link copiado
Foto por: Gabriell Vinícyus
Foto por: Gabriell Vinícyus

A eleição municipal de Mari foi marcada por um frenesi geral da população mariense. Tendo Lucinha da Saúde (PSB), atual vice-prefeita e Marcos Martins (PP), ex-prefeito da cidade, Mari ficou polarizada. Lucinha foi o rosto da campanha do atual prefeito, Antônio Gomes, que indicou a candidata como sucessora. Marcos Martins é ex-prefeito, mas que, mesmo estando longe do poder público da cidade há oito anos, possui forças para disputar o pleito.

O resultado da eleição comprovou a polarização de Mari. Lucinha da Saúde ganhou com 50,68% dos votos (7.621 eleitores), enquanto Marcos Martins perdeu com 49,32% (7.417 eleitores), 616 votos (3,86%) foram nulos, 301 votos (1,89%) em branco, totalizando 15,955 votos.

A diferença entre os concorrentes foi de 1,36%, mas as pesquisas internas mostravam Marcos Martins à frente de Lucinha da Saúde, o que pode ter ocasionado a virada no jogo?

Muitos cidadãos apontam um dos vários motivos da virada: a narrativa que se seguiu pelas semanas de eleições por parte dos filiados ao PSB era de que o candidato da oposição seria inelegível, caso vencesse a eleição. A incansável narrativa da inelegibilidade foi sustentada até o fim da campanha, uma reafirmação de que o concorrente estaria mentindo e de que, se a população desse o voto a Marcos Martins, ele seria anulado.

Do outro lado, o grupo dos Progressistas sustentava a narrativa de que o candidato estava recorrendo judicialmente para ter os processos anulados e de que era candidato a prefeito, sim. Contudo, não havia clareza suficiente para ambas as histórias. A mentira e a verdade diluíram-se em um caldo misto e amargo de poder.

Esse enredo amniótico, colocou Mari sob uma redoma de conflitos: os extremos viravam-se em gritos, brigas e intolerância; os centrais, continham-se e deixavam a campanha enredar-se sobre si mesma, que vencesse o mais votado. Os falsos sensatos, detiveram-se na desconfiança de seu próprio grupo, com medo de se comprometer o suficiente para declarar-se partidário.

Um outra pontuação acerca do resultado, feita por cidadãos marienses, seriam as adesões conquistadas pelos candidatos e a dissolução da chapa de Karina Melo (candidata a prefeita) e Emanuelle Chaves (candidata a vice-prefeita). As duas representariam a terceira via para aqueles que mostraram insatisfação pelos dois representantes que demonstravam ser mais fortes, mas, na semana das eleições, Emanuelle rompeu com Karina e aderiu a Marcos Martins. No vídeo, Emanuelle explica que tomou a decisão de aderir porque a terceira via não engajou e a campanha perdeu a intensidade que tinha no início. Após o pronunciamento de Emanuelle, Karina Mello veio às redes sociais declarar que foi traída mais uma vez no meio político. Anteriormente, na eleição de 2020, Karina foi ao evento da convenção partidária de seu aliado, Antônio Gomes, que na época, era candidato a prefeito. Acordos foram feitos e Karina Mello tinha convicção de que seria a vice-prefeita ao lado de Antônio Gomes. No ímpeto do evento, Antônio Gomes anunciou que Lucinha da Saúde seria a vice-prefeita.

Em 2024, Karina lança a candidatura e faz o próprio evento de convecção partidária, onde afirma que jamais voltaria para o grupo no qual foi traída. Por ironia do destino ou por troca de interesses, após o rompimento com Emanulle, ela retorna ao grupo de Antônio Gomes na semana decisiva da eleição.

A campanha eleitoral de Mari foi construída por reviravoltas impressionantes, que deixaram os eleitores perplexos. As adesões repentinas e as narrativas confusas sustentadas pelos candidatos, foram apontados como justificativa para o resultado final, mas será que há um outro motivo?

Anomalia: 

No ano de 2020, em Mari, haviam 16.375 eleitores (74,9% da população total). No ano de 2022, época da eleição para presidente, o número de eleitores caiu para 15.955 eleitores (74,2% da população), um decréscimo de 2,6%. Em 2024, um crescente repentino foi identificado: o número de dois anos atrás saltou para 18.213 eleitores, totalizando 82,3% de marienses. Esse número corresponde a um crescimento de 14,2%.

Um período curto e um aumento repentino significativo de eleitores, levantam questionamentos, por se tratar de uma crescente atípica, em uma cidade que, demograficamente, apresentou um crescimento de apenas 2,85% entre 2022 e 2024.

A informação, segundo uma matéria feita por Manoel Batista para o portal ExpressoPB, é de que houve uma emissão de 1.355 novos títulos e transferências. Vale destacar que esse valor, que representa 8,3% do total de eleitores de 2024, abarca adolescentes votantes e alterações de endereço de uma cidade para outra (transferências). Tal percentual expressivo, em um cenário de baixa diferença de votos, pode impactar na decisão do resultado eleitoral.

Na matéria de Manoel Batista, ele diz que “esse aumento significativo no eleitorado em um intervalo curto é um fator que merece investigação detalhada, pois alterações demográficas abruptas podem configurar manipulação eleitoral, especialmente se associado a práticas como aliciamento de eleitores para alterar o equilíbrio do pleito.”

O Código Eleitoral e a legislação, permitem a revisão do eleitorado em cidades onde há indicativo de aumento irregular de eleitores, o que pode ser “suscitado junto à Justiça Eleitoral para verificar se houve irregularidades, como transferências em massa ou alistamento incentivado por interesses eleitorais”.

“A alta proporção de novos registros eleitorais e transferências exige uma investigação aprofundada para garantir a legitimidade do pleito e confirmar se o crescimento do eleitorado ocorreu dentro da legalidade, sem interferências artificiais.” – Manoel Batista.

Apesar da acirrada disputa entre Lucinha da Saúde e Marcos Martins, parte da população de Mari ainda aguarda uma reviravolta, como uma nova eleição. O fato é que os eleitores foram personagens secundários em uma trama de poder e jogo, que a cada minuto, eram jogados contra as próprias dúvidas, sem a convicção do certo e errado, verdade e mentira. A supremacia do poder, a sede pelo trono, a humildade dos mais pobres, o sorriso dos gentis, a necessidade da periferia e a esperança de um futuro melhor, foram ingredientes perfeitos para uma publicidade que arrancou de muitos o sossego de um sono.