Aumento no número de eleitores em Mari pode indicar interferência no resultado do pleito e acarretar novas eleições.
O resultado da eleição comprovou
a polarização de Mari. Lucinha da Saúde ganhou com 50,68% dos votos (7.621
eleitores), enquanto Marcos Martins perdeu com 49,32% (7.417 eleitores), 616
votos (3,86%) foram nulos, 301 votos (1,89%) em branco, totalizando 15,955
votos.
A diferença entre os concorrentes
foi de 1,36%, mas as pesquisas internas mostravam Marcos Martins à frente de
Lucinha da Saúde, o que pode ter ocasionado a virada no jogo?
Muitos
cidadãos apontam um dos vários motivos da virada: a narrativa que se seguiu
pelas semanas de eleições por parte dos filiados ao PSB era de que o candidato
da oposição seria inelegível, caso vencesse a eleição. A incansável narrativa
da inelegibilidade foi sustentada até o fim da campanha, uma reafirmação de que
o concorrente estaria mentindo e de que, se a população desse o voto a Marcos
Martins, ele seria anulado.
Do outro lado, o grupo dos
Progressistas sustentava a narrativa de que o candidato estava recorrendo
judicialmente para ter os processos anulados e de que era candidato a prefeito,
sim. Contudo, não havia clareza suficiente para ambas as histórias. A mentira e
a verdade diluíram-se em um caldo misto e amargo de poder.
Esse enredo amniótico, colocou
Mari sob uma redoma de conflitos: os extremos viravam-se em gritos, brigas e
intolerância; os centrais, continham-se e deixavam a campanha enredar-se sobre
si mesma, que vencesse o mais votado. Os falsos sensatos, detiveram-se na
desconfiança de seu próprio grupo, com medo de se comprometer o suficiente para
declarar-se partidário.
Um outra pontuação acerca do
resultado, feita por cidadãos marienses, seriam as adesões conquistadas pelos
candidatos e a dissolução da chapa de Karina Melo (candidata a prefeita) e
Emanuelle Chaves (candidata a vice-prefeita). As duas representariam a terceira
via para aqueles que mostraram insatisfação pelos dois representantes que
demonstravam ser mais fortes, mas, na semana das eleições, Emanuelle rompeu com
Karina e aderiu a Marcos Martins. No vídeo, Emanuelle explica que tomou a
decisão de aderir porque a terceira via não engajou e a campanha perdeu a
intensidade que tinha no início. Após o pronunciamento de Emanuelle, Karina
Mello veio às redes sociais declarar que foi traída mais uma vez no meio
político. Anteriormente, na eleição de 2020, Karina foi ao evento da convenção
partidária de seu aliado, Antônio Gomes, que na época, era candidato a
prefeito. Acordos foram feitos e Karina Mello tinha convicção de que seria a
vice-prefeita ao lado de Antônio Gomes. No ímpeto do evento, Antônio Gomes
anunciou que Lucinha da Saúde seria a vice-prefeita.
Em
2024, Karina lança a candidatura e faz o próprio evento de convecção
partidária, onde afirma que jamais voltaria para o grupo no qual foi traída.
Por ironia do destino ou por troca de interesses, após o rompimento com
Emanulle, ela retorna ao grupo de Antônio Gomes na semana decisiva da eleição.
A campanha eleitoral de Mari foi
construída por reviravoltas impressionantes, que deixaram os eleitores
perplexos. As adesões repentinas e as narrativas confusas sustentadas pelos
candidatos, foram apontados como justificativa para o resultado final, mas será
que há um outro motivo?
Anomalia:
No ano de 2020, em Mari, haviam
16.375 eleitores (74,9% da população total). No ano de 2022, época da eleição
para presidente, o número de eleitores caiu para 15.955 eleitores (74,2% da
população), um decréscimo de 2,6%. Em 2024, um crescente repentino foi
identificado: o número de dois anos atrás saltou para 18.213 eleitores,
totalizando 82,3% de marienses. Esse número corresponde a um crescimento de
14,2%.
Um período curto e um aumento
repentino significativo de eleitores, levantam questionamentos, por se tratar
de uma crescente atípica, em uma cidade que, demograficamente, apresentou um
crescimento de apenas 2,85% entre 2022 e 2024.
A informação, segundo uma matéria
feita por Manoel Batista para o portal ExpressoPB, é de que houve uma emissão
de 1.355 novos títulos e transferências. Vale destacar que esse valor, que
representa 8,3% do total de eleitores de 2024, abarca adolescentes votantes e
alterações de endereço de uma cidade para outra (transferências). Tal
percentual expressivo, em um cenário de baixa diferença de votos, pode impactar
na decisão do resultado eleitoral.
Na matéria de Manoel Batista, ele
diz que “esse aumento significativo no eleitorado em um
intervalo curto é um fator que merece investigação detalhada, pois alterações
demográficas abruptas podem configurar manipulação eleitoral, especialmente se
associado a práticas como aliciamento de eleitores para alterar o equilíbrio do
pleito.”
O
Código Eleitoral e a legislação, permitem a revisão do eleitorado em cidades
onde há indicativo de aumento irregular de eleitores, o que pode ser “suscitado
junto à Justiça Eleitoral para verificar se houve irregularidades, como
transferências em massa ou alistamento incentivado por interesses eleitorais”.
“A
alta proporção de novos registros eleitorais e transferências exige uma
investigação aprofundada para garantir a legitimidade do pleito e confirmar se
o crescimento do eleitorado ocorreu dentro da legalidade, sem interferências
artificiais.” – Manoel Batista.
Apesar da acirrada disputa entre
Lucinha da Saúde e Marcos Martins, parte da população de Mari ainda aguarda uma
reviravolta, como uma nova eleição. O fato é que os eleitores foram personagens
secundários em uma trama de poder e jogo, que a cada minuto, eram jogados
contra as próprias dúvidas, sem a convicção do certo e errado, verdade e
mentira. A supremacia do poder, a sede pelo trono, a humildade dos mais pobres,
o sorriso dos gentis, a necessidade da periferia e a esperança de um futuro
melhor, foram ingredientes perfeitos para uma publicidade que arrancou de
muitos o sossego de um sono.
