Moradora de João Pessoa presa no Camboja é Julgada nesta Quinta-Feira (23) e agora Aguarda Decisão da Justiça
Daniela Marys de Oliveira, uma brasileira de 35 anos, foi julgada na madrugada de hoje, quinta-feira (23), no Camboja por tráfico de drogas. A família aguarda ansiosamente o resultado do julgamento, que será divulgado no dia 12 de novembro. Se condenada, Daniela pode enfrentar até 20 anos de prisão.
Segundo a família, Daniela foi vítima de tráfico humano após ser atraída para o Camboja com uma promessa de emprego em telemarketing. Ao decidir não participar de um esquema de golpes na internet, criminosos forjaram um flagrante contra ela, implantando cápsulas de droga no local onde estava morando no país. A prisão em que Daniela está é conhecida por superlotação e más condições, com cerca de 90 mulheres na mesma cela.
O Brasil é signatário do Protocolo de Palermo, que estabelece que o consentimento da vítima é irrelevante quando obtido por meio de fraude, coação ou abuso de poder. Isso significa que, mesmo que Daniela tenha aceitado ir ao Camboja para trabalhar, se essa decisão foi influenciada por engano ou exploração, ela ainda é considerada vítima de tráfico humano.
O Itamaraty informou que tem conhecimento do caso e está realizando gestões junto ao governo cambojano para prestar assistência consular a Daniela. Em 2024, o Ministério das Relações Exteriores prestou assistência a 63 brasileiros em situação de tráfico de pessoas, dos quais 41 no Sudeste Asiático.
A Anistia Internacional apontou que o Camboja é reincidente em práticas de violação de direitos humanos e superlotação de prisões. A organização denuncia que as autoridades cambojanas realizam detenções arbitrárias e submetem suspeitos a tortura e maus-tratos. A situação de Daniela é um exemplo das vulnerabilidades enfrentadas por brasileiros no exterior.
