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João Pessoa

Juiz é denunciado por racismo religioso, após negar indenização à mãe de Santo vítima de intolerância

Por REDAÇÃO 21 de outubro de 2025, 15:08
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Foto: Divulgação / Arquivo pessoal / G1 Paraíba
Foto: Divulgação / Arquivo pessoal / G1 Paraíba
Em meados de março de 2024, Lúcia de Fátima Batista de Oliveira – mãe de Santo – fez um boletim de ocorrência contra um motorista de Uber, após o próprio cancelar uma corrida que a mãe de Santo pediu para ir até uma Casa de Candomblé, tendo enviado a seguinte mensagem para a passageira: “Sangue de Cristo tem poder, quem vai é outro kkkkk tô fora”. Lúcia moveu uma ação na justiça, pedindo indenização em valor estimado de R$ 50 mil. 

Agora com a negação da indenização partindo do juiz Adhemar de Paula Leite Ferreira Néto, do 2º Juizado Especial Cível de João Pessoa, que avaliou o caso. Lúcia o denuncia por racismo religioso. Segundo Adhemar, quem estaria cometendo intolerância foi a mãe de santo e não o motorista. 

"A autora, a se ver da inicial, ao afirmar considerar ofensiva a ela a frase 'Sangue de Cristo tem poder', denota com tal afirmação que a intolerância religiosa vem dela própria. E, não, do motorista inicialmente selecionado pela ré para transportá-la", diz o magistrado. 

 "Sendo assim, não está contratualmente obrigado a transportar quem não quer. Cabendo à ré, em caso de recusa do motorista inicialmente selecionado, encontrar motorista que queira aceitar a solicitação. Que foi o que aconteceu, na ocasião, em relação à autora", ressaltou. 

Em reação, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriu um procedimento para apurar o caso após a denúncia de uma associação de proteção ao direito religioso. O caso está para ser enviado à corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).