MPPB e outras cinco instituições assinam protocolo para monitoramento de agressores
Em um
esforço conjunto para fortalecer a rede de proteção à mulher e combater o
feminicídio na Paraíba, o Ministério Público da Paraíba (MPPB)
celebrou, nesta terça-feira (15/07), um histórico protocolo de intenções
com o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), a Defensoria Pública da
Paraíba (DPE-PB) e as Secretarias de Estado da Segurança e da Defesa
Social (SESDS), da Mulher e da Diversidade Humana (SEMDH) e da
Administração Penitenciária (Seap). A parceria visa a instituir um fluxo
interinstitucional para a gestão, a avaliação e a fiscalização da
monitoração eletrônica de autores de violência doméstica e familiar, uma
medida crucial para garantir a segurança das vítimas.
A
cerimônia de assinatura foi realizada na sede do MPPB, em João Pessoa, e
teve a participação do procurador-geral de Justiça, Antônio Hortêncio
Rocha Neto; do presidente d do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB),
desembargador Frederico Coutinho; da defensora pública geral, Maria
Madalena Abrantes; do secretário da Administração Penitenciária, João
Alves, da secretária da Mulher e Diversidade Humana, Lídia Moura; dos
promotores de Justiça Ricardo Alex Almeida Lins (coordenador do Centro
de Apoio Operacional em Matéria Criminal) e Liana Espínola de Carvalho
(coordenadora do Núcleo de Gênero, Diversidade e Igualdade Racial); da
coordenadora do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema
Carcerário e Socioeducativo do TJPB), juíza Maria Aparecida Gadelha; da
chefe de gabinete da Delegacia-Geral da Polícia Civil, Maíra Roberta
Araújo, da coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à
Mulher, Maria Sileide de Azevedo, e do secretário executivo de
Administração Penitenciária.
O
Protocolo de Intenções estabelece uma série de ações coordenadas para a
implementação eficaz da monitoração eletrônica, recentemente alterada
pela Lei Federal nº 15.125/2025.
O
procurador-geral de Justiça, Antônio Hortêncio Rocha Neto, destacou o
compromisso do Ministério Público com a proteção das mulheres.
"Assumimos a responsabilidade de exercer a fiscalização da implementação
do sistema de monitoramento eletrônico, zelando para que ele atenda, de
forma efetiva, aos objetivos de proteção às mulheres em situação de
violência", afirmou. Ele salientou ainda a importância da união de
esforços dos diversos órgãos, cada um nas suas atribuições, para prestar
um melhor serviço à sociedade.
A
iniciativa representa um marco na luta contra a violência de gênero no
Estado, alinhando-se a normativas nacionais e internacionais, como a Lei
Maria da Penha e a Convenção de Belém do Pará. O protocolo busca
integrar operacionalmente os diversos órgãos do sistema de justiça e
segurança pública, para assegurar que as medidas protetivas de urgência
sejam cumpridas com rigor.
O
coordenador do Centro de Apoio Operacional em Matéria Criminal
(CAOCrim), promotor de Justiça Ricardo Alex Almeida Lins, enfatizou a
atuação proativa da instituição. "O compromisso do Ministério Público é
atuar firmemente na apuração de eventuais falhas ou violações no sistema
de monitoramento eletrônico que possam comprometer a segurança das
mulheres atendidas e acompanhar, em cada localidade, os casos de
violação das medidas protetivas, zelando pela célere responsabilização
dos autores", declarou.
Além da
fiscalização, o MPPB terá um papel fundamental na conscientização da
sociedade. A coordenadora do Núcleo de Gênero, Diversidade e Igualdade
Racial (Gedir), promotora de Justiça Liana Espínola Pereira de Carvalho,
ressaltou a importância da educação em direitos. "Vamos atuar na
conscientização e na educação em direitos, informando as mulheres sobre
seus direitos e os mecanismos de proteção disponíveis, bem como sobre a
importância da denúncia e do acompanhamento das medidas protetivas",
pontuou.
Instituições parceiras
O
desembargador Frederico Coutinho reafirmou o compromisso do TJPB de
atuar no combate a esse tipo de violência junto com os órgãos parceiros.
“É nosso compromisso darmos as mãos e nos unirmos, cada vez mais, na
busca de tentar coibir essa chaga que é a violência contra a mulher. Não
podemos permitir que isso se alastre. Fico muito feliz, quando vejo
iniciativas que buscam resguardar a cidadania, no caso aqui, a cidadania
da mulher. Tenho certeza de que, com a ajuda de todos os órgãos, vamos
enfrentar com vontade, cada vez maior, de solucionar esse tema. Contem
com o Judiciário”, disse.
A
defensora pública geral, Maria Madalena Abrantes, ressaltou a união de
esforços de todos. “É muito especial, quando todo o sistema de justiça
se une nessa luta contra a violência contra a mulher. Nossa parte, como
Defensoria, é cuidar dos agressores nos nossos grupos reflexivos, com a
parceria de todos vocês, dando conhecimento sobre a Lei Maria da Penha,
mostrando as sequências da agressão. Essa reunião aqui me dá esperança
para trabalharmos por um mundo cada vez melhor”.
A chefe
de gabinete da Delegacia-Geral, Maíra Araújo, ressaltou a importância do
protocolo. “É muito importante essa cooperação, porque somos mais
fortes, quando estamos juntos. É responsabilidade do Estado a
salvaguarda dos direitos dessas mulheres e o combate a esse tipo de
violência. Gostaria de agradecer a cooperação de cada um, a parceria de
cada um, pois é imprescindível trabalharmos juntos e fortalecer essa
parceria”.
A
secretária Lídia Moura falou sobre a articulação do MP para reunir as
instituições em torno desse objetivo comum. “Quero agradecer ao
Ministério Público pelo trabalho de aproximação das instituições, de
busca de cooperações, de diálogo conosco. Esse é um momento importante.
Fico muito feliz, quando vejo um órgão como o Ministério Público se
debruçar, para encontrar um caminho, buscar juntar tantos entes para que
possamos monitorar, fazer um fluxo, fazer cumprir a determinação
judicial do monitoramento”.
Atribuições dos parceiros
Para que
o sistema funcione de maneira integrada, o protocolo detalha as
responsabilidades de cada órgão. O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB)
se compromete a estabelecer procedimentos ágeis para a concessão de
medidas protetivas que incluam o monitoramento, encaminhando as decisões
à Central de Monitoramento e compartilhando dados estatísticos
essenciais para o planejamento das políticas públicas.
A
Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) terá a
incumbência de coordenar a Central de Monitoramento Eletrônico,
garantindo a instalação e manutenção das tornozeleiras nos agressores.
Além disso, deverá fornecer relatórios periódicos ao Ministério Público e
ao Poder Judiciário e manter uma equipe técnica capacitada para o
acompanhamento contínuo dos monitorados.
A
Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social (SESDS) assegurará o
atendimento prioritário das ocorrências de violação das medidas
protetivas. Em conjunto com a SEAP, instituirá um protocolo para o
acionamento rápido da polícia pela Central de Monitoramento em caso de
incidentes. A capacitação de policiais civis na abordagem de gênero
também é uma de suas atribuições.
A
Defensoria Pública do Estado (DPE-PB) atuará em uma frente preventiva,
promovendo grupos reflexivos de homens acusados no contexto da violência
doméstica, buscando coibir a reincidência e a ocorrência de
feminicídios. A instituição também vai colaborar no fortalecimento da
rede de atendimento às mulheres e na capacitação de profissionais do
sistema de justiça.
Por fim,
a Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana (SEMDH) ficará
responsável por promover ações de formação e sensibilização sobre
violência de gênero para os profissionais envolvidos. A pasta também
instruirá as equipes do "Programa Integrado Patrulha Maria da Penha",
para que contribuam com o acompanhamento das mulheres cujos agressores
estejam sendo monitorados, orientando-as e identificando possíveis
problemas na execução da medida.
A
assinatura do termo, que terá vigência de 24 meses, simboliza uma
resposta unificada do Estado paraibano à grave questão do feminicídio,
gerando um impacto de esperança e demonstrando um comprometimento sólido
com a vida e a segurança das mulheres.
