Caso Isea: MP aguarda conclusão da PC, do CRM, Coren e do Comitê de Morte Materna
O Ministério Público da Paraíba (MPPB)
está aguardando a conclusão das apurações que estão sendo realizadas,
de forma autônoma e complementar, pela Polícia Civil, pelos conselhos
regionais de Medicina e Enfermagem (CRM e Coren) e pelo Comitê Estadual
de Prevenção e Investigação de Óbitos Maternos, Fetais e Infantis sobre a
morte do bebê ocorrida em março deste ano, no Instituto de Saúde
Elpídio de Almeida (Isea), seguida do falecimento da gestante em outra
unidade hospitalar do município de Campina Grande. De acordo com a
promotora de Justiça Adriana Amorim, a atuação do MPPB seguirá pautada
na legalidade, no respeito à dor da família e no compromisso com uma
saúde pública segura, digna e humanizada para todas as mulheres.
No final da tarde da terça-feira (1/07),
a Promotoria de Justiça de defesa da Saúde de Campina Grande recebeu o
relatório da sindicância realizada pela Secretaria Municipal de Saúde no
Isea, para fins de responsabilização administrativa. O documento não
emitiu juízo definitivo sobre a ocorrência de erro profissional, por
reconhecer a necessidade de prova de natureza técnico-pericial, que
deverá ser produzida nas demais instâncias de investigação, e recomendou
a instauração de procedimento disciplinar em desfavor de agentes
públicos, com o afastamento cautelar de dois profissionais, e o
encaminhamento de suas conclusões às demais esferas responsáveis pela
apuração, inclusive a criminal.
Conforme explicou a promotora de
Justiça, o caso está sob sigilo e, por isso, não podem ser dados
detalhes sobre a investigação em curso. Ela destaca, no entanto, que
“fatos dessa natureza exigem um olhar atento e sensível do poder
público, sobretudo diante da dor vivenciada pela família e da comoção
que naturalmente provoca em toda a sociedade”. “O Brasil assumiu
compromissos internacionais voltados à prevenção de mortes maternas
evitáveis. A morte de uma mulher por causas ligadas à gestação ou ao
parto não pode ser naturalizada; representa uma falha coletiva, que
impõe respostas institucionais firmes e comprometidas com a dignidade da
mulher e com a efetividade do direito à saúde”, disse.
A promotora de Justiça reforça que
eventuais responsabilizações poderão ocorrer nas esferas criminal,
civil, administrativa e ética, conforme os elementos de prova apurados
em cada uma delas. Ela ressalta também que, diante da gravidade do caso,
o MPPB acompanhará de forma rigorosa todas as apurações e adotará as
medidas cabíveis para assegurar o cumprimento do plano de ação proposto
ao Isea, com foco no aprimoramento contínuo dos serviços de atenção
obstétrica no SUS.
Violência obstétrica
A Promotoria também acompanhará, sob a
ótica da proteção coletiva, as situações de possível violência
obstétrica, com o objetivo de garantir o respeito às gestantes em
momento de extrema vulnerabilidade.
Nesse contexto, será observado o
conteúdo do relatório da Câmara de Vereadores de Campina Grande,
elaborado após audiência pública sobre mortalidade materna e violência
obstétrica, que traz recomendações importantes para a qualificação da
assistência e a efetivação da saúde integral da mulher.
