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João Pessoa lidera ranking de desigualdade de renda no Brasil

Por Redação 05 de dezembro de 2024, 13:26
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Divulgação: Internet
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João Pessoa ocupa o topo do ranking de desigualdade de renda no Brasil, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de Gini da cidade, que mensura a distribuição de renda, alcançou 0,629 em 2023, o mais alto entre as capitais brasileiras. Esse indicador, quanto mais próximo de 1, reflete uma disparidade acentuada entre os rendimentos da população.

Apesar de ser um dos destinos mais procurados globalmente e de sua referência em qualidade de vida, as estatísticas sociais mostram um panorama diferente para grande parte dos paraibanos. O índice de Gini da capital paraibana superou até mesmo o de São Paulo, que foi de 0,585 no mesmo período. Isso revela uma realidade de desigualdade, com vastas disparidades no acesso a renda e serviços.

A concentração de riqueza em João Pessoa é evidente. O rendimento médio dos 10% mais ricos é de R$ 26.070, enquanto os 40% mais pobres ganham, em média, R$ 972 mensais. A diferença entre esses grupos é expressiva, com uma razão 10/40 de 26,8, um valor bem superior ao da média do estado e do Nordeste. O contraste é ainda mais significativo quando comparado com as médias nacionais.

Em relação à pobreza extrema, cerca de 7,4% da população paraibana vive com menos de R$ 209 mensais, o que equivale a cerca de 300 mil pessoas. Essa proporção é maior que a média nacional, que é de 4,4%, e também superior à média do Nordeste. No entanto, o índice de extrema pobreza na Paraíba apresentou uma leve queda em relação a 2021, quando a taxa chegou a 15,6%.

Além da pobreza extrema, 47,4% dos paraibanos vivem abaixo da linha da pobreza, com rendimentos inferiores a R$ 665 mensais. Esse dado reflete a realidade de uma boa parte da população, que enfrenta dificuldades financeiras para acessar as necessidades básicas. A comparação com outros estados do Brasil e do Nordeste destaca a situação crítica vivida por muitos na região.

Quando analisados os dados por cor e raça, a desigualdade também é evidente. As pessoas brancas em João Pessoa apresentam uma renda média de R$ 3.565, mais do que o dobro da renda dos pretos e pardos, que ganham, respectivamente, R$ 1.414 e R$ 1.837. Essa disparidade reflete as desigualdades estruturais de longa data, evidenciando a diferença nos rendimentos por etnia.

Em termos de desigualdade, João Pessoa não só manteve como aumentou seu índice nos últimos anos. Em 2010, a cidade já era uma das mais desiguais do Brasil, com um índice de Gini de 0,628, mas, ao contrário de outras capitais, a situação piorou. No mesmo período, cidades como Recife conseguiram reduzir consideravelmente sua desigualdade, enquanto João Pessoa passou a ocupar o primeiro lugar no ranking de desigualdade em 2023.

A valorização imobiliária na cidade tem exacerbado a desigualdade. Nos últimos 12 meses, os imóveis residenciais de João Pessoa tiveram a maior valorização do Brasil, com um aumento de 17%. Esse cenário, aliado à alta concentração de renda, tem levado a população de baixa renda a se deslocar para áreas periféricas da cidade, como o bairro de Gramame, que se tornou um dos mais populosos da Paraíba. A mudança para regiões mais distantes do centro e da orla reflete o impacto da disparidade econômica nas condições de vida da população.

O cenário de João Pessoa, com altos índices de desigualdade e crescimento imobiliário acentuado, revela um desafio significativo para a cidade. Apesar de sua beleza e atrativos turísticos, a capital paraibana enfrenta questões estruturais de distribuição de renda que afetam diretamente a qualidade de vida de grande parte de seus habitantes.