Hospitais privados e filantrópicos poderão reforçar atendimento no SUS em troca de abatimento de dívidas
Para ampliar a capacidade de atendimento especializado e reduzir a fila de espera, os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS)poderão realizar consultas, exames e cirurgias em hospitais privados e filantrópicos
que receberão créditos financeiros pela prestação do serviço. Como
contrapartida ao atendimento prestado, esses estabelecimentos poderão
usar esses créditos no valor de até R$ 2 bilhões/ano para quitar dívidas com a União ou débitos que estão para vencer.
Anunciada
nesta terça-feira (24/6) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e
pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a medida do governo federal
integra um pacote de ações do programa Agora Tem Especialistas, quetemcomo
estratégia central o uso de toda a estrutura de saúde do Brasil,
pública e privada, para aumentar o número de atendimentos em todo o país e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias.A medida é viabilizada por umaPortaria Conjuntadosdois ministérios.
“Estamos
falando de dívidas históricas que nunca foram quitadas e que se
transformaram em cicatrizes profundas na nossa população. O dia de hoje
representa um passo fundamental, pois estamos mobilizando os sistemas
público e privado de saúde para usar toda a sua capacidade em favor do
que realmente importa: garantir acesso, dignidade e cuidado para quem
está esperando há anos por um procedimento que pode mudar ou salvar
vidas”, afirmou o ministro Alexandre Padilha, ressaltando que esse mecanismo será usado pela primeira vez no SUS.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacouque“essa
nova iniciativa caminha na direção certa, pois fortalece o SUS
justamente num momento em que ainda vivemos os efeitos da pandemia, que
exigem atenção redobrada. Participar dessa iniciativa junto com o
Ministério da Saúde é uma honra. Estamos fortalecendo o sistema público,
salvando vidas e tratando a saúde com o princípio que ela merece, como
prioridade absoluta”.
Os
hospitais privados e filantrópicos vão oferecer serviços em seis áreas
prioritárias para o SUS: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia,
oftalmologia e otorrinolaringologia.
Os valores terão como base a Tabela Agora Tem Especialistas, que está
direcionada a essas especialidades e compõem, entre outros
procedimentos,mais de 1.300 tipos de cirurgia.
Da adesão à concessão do crédito
A
adesão ao programa Agora Tem Especialistas é voluntária. Para garantir
a possibilidade de receber os créditos financeiros, os hospitais
privados e filantrópicos deverão procurar o Ministério da Fazenda a fim
de negociar as dívidas tributárias.As
instituições submeterão o pedido de adesão ao Ministério da Saúde, que
analisará se os serviços ofertados atendem às demandas locais e
regionais do SUS.
Os
hospitais privados e filantrópicos que aderirem ao programa iniciarão o
atendimento na rede pública em 2025, mas os créditos financeiros
gerados poderão abater a dívida tributária a vencer ou oriunda de
transação tributária a partir de 1º de janeiro de 2026.
Um dos critérios estabelecidosparaparticipaçãoé a comprovação por parte doshospitaisda capacidade técnica e operacional para a prestação do serviço.Entre
as vantagens da adesão estão período de moratória de seis meses e
redução de 70% em juros e multas sobre o valor da dívida.
“A lógica é simples: se osa.
hospitais privados fizerem mais cirurgias, mais exames, mais consultas
especializadas e ajudarem o SUS a reduzir filas, eles receberão
compensações — seja por meio de créditos tributários, seja pela redução
de dívidas fiscais. É uma medida inovadora que faz parte da transição
tributária e que também alcança outros setores, mas aqui ganha um papel
decisivo na saúde”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Resumo sobre créditos financeiros
- Remuneram os atendimentos prestados
- Emitidos
apenas para hospitais que optaram pela negociação tributária com o
Ministério da Fazenda e que tenham aderido ao programa
- Equivalem a valor de referência a ser definido no rol de procedimentos
- Autorizar o Governo Federal a prestar atendimento especializado complementar em apoio a estados e municípios
- Ampliar os turnos de atendimento no público e privado
- Novos mecanismos para oferta de exames, consultas e cirurgias do SUS nas Clínicas e nos Hospitais privados
- Mais Telessaúde: encurtar o tempo de espera por consultas e exames com especialistas
- Consolidar a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e controle do câncer
- Ampliar o provimento e a formação de profissionais especialistas
- Levar unidades móveis e mutirões para regiões desassistidas
- Comunicar e monitorar o atendimento e o tempo de espera
- Fortalecer a Atenção Primária para reduzir o tempo de espera no atendimento especializado
- Governança: envolvimento dos especialistas, gestores estaduais e municipais e usuários
